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Tecnologia e eficiência logística

Caminhões elétricos: como funcionam e se valem a pena

Jade Zart Jade Zart 6 min de leitura
Caminhões elétricos: como funcionam e se valem a pena

Que tal preparar a sua transportadora para decisões mais sustentáveis e eficientes? Comece entendendo como funciona o caminhão elétrico: ele pode reduzir emissões diretas, diminuir ruído e mudar a conta operacional da frota, mas ainda exige cuidado com investimento, recarga e autonomia.

Apesar de aqui no Brasil ainda ser uma tecnologia em desenvolvimento para muitas operações, já existem caminhões elétricos em teste e em circulação, inclusive com modelos desenvolvidos para o mercado brasileiro.

Enquanto isso, na Europa, o caminhão elétrico já aparece em diversas regiões como uma alternativa importante para transporte de cargas. Isso acontece muito em função das leis mais rígidas em relação à redução de impacto ambiental.

Aliás, esse veículo surgiu realmente como uma solução e resposta às regras de emissões de poluentes. Veículos elétricos não têm emissões pelo escapamento; ao mesmo tempo, a geração da eletricidade usada na recarga ainda pode gerar poluição por carbono, dependendo da matriz de energia.

A verdade é que ele pode demorar a ser utilizado em grande escala devido ao valor de aquisição. Hoje, caminhões elétricos ainda exigem investimento inicial maior do que caminhões convencionais. Porém, por outro lado, o custo operacional pode ficar mais competitivo conforme a operação, a tarifa de energia, o tipo de rota e a infraestrutura de recarga.

De acordo com alguns especialistas na área de logística, o ROI (retorno sobre investimento) pode depender bastante da operação. Mas, como funciona esse caminhão? Ele é realmente melhor? Vale a pena investir?

Toda vez que surge uma novidade, as perguntas e dúvidas chegam junto com toda a força, né? Para começar, vamos responder:

Como funciona o caminhão elétrico?

Diferente dos modelos tradicionais e usados em todo o mundo, o caminhão elétrico funciona, é claro, na base de energia elétrica, fornecida por baterias. O tempo de recarga muda conforme o modelo, a bateria e a infraestrutura disponível; em um exemplo de mercado, o Volvo FH Electric pode carregar de 20% a 80% em cerca de 65 minutos.

Apesar disso, alguns modelos de caminhão usam o atrito dos freios e a redução de velocidade como fonte de produção de energia para dar uma carga extra às baterias. Esse reaproveitamento, conhecido como frenagem regenerativa, ajuda a explicar a eficiência do conjunto: veículos elétricos usam aproximadamente 87% a 91% da energia da bateria e da frenagem regenerativa para movimentar o veículo.

O carregamento pode ser feito com energia elétrica, plugando o veículo na tomada em postos de carregamento, ou por meio de energias limpas, como a eólica e a solar. A disponibilidade também vai depender do modelo adquirido pela empresa, da infraestrutura contratada e da matriz elétrica usada na recarga.

É importante mencionar que outros elementos que precisam de bateria, como ar condicionado e faróis, podem ter sistemas separados, conforme o projeto do veículo.

Quais são os modelos disponíveis no mercado?

Um dos primeiros modelos, da Renault Trucks, surgiu em 2009 e, desde então, esse mercado apenas cresce. Hoje, podemos encontrar modelos variados e de diversas empresas da indústria automobilística, incluindo:

  • Tesla Semi (Tesla);
  • Urban eTruck (Mercedes Benz);
  • FL Eletric (Volvo);
  • ET-ONE (Thor Trucks);
  • T-POD (Einride);
  • e-Delivery (Volkswagen).

Como mencionado anteriormente, o e-Delivery é o primeiro modelo produzido no Brasil, pela Volkswagen. Ele está ganhando bastante atenção por conta do relacionamento com a Ambev, uma reconhecida empresa de bebidas.

Claramente, cada modelo tem suas próprias características. De modo geral, a autonomia deve ser analisada modelo a modelo, porque ela depende da configuração de bateria, do peso transportado, da rota e do uso do veículo.

Assim, pensando em um cenário brasileiro, onde os postos de abastecimento para esse tipo de veículo ainda são um ponto de atenção, é difícil afirmar quando esses veículos passarão a dominar as frotas de transporte de cargas. Em muitas operações, o uso urbano e as rotas planejadas continuam sendo o caminho mais provável para começar.

A Ambev está revolucionando o transporte de cargas?

Essa empresa, que já tem seu próprio sistema de transportes, está investindo na implementação de caminhão elétrico desde 2018. A princípio, vem sendo feito testes com essa máquina apenas em São Paulo, mas os resultados têm sido positivos.

Por esse motivo, a empresa decidiu aumentar o investimento nesses caminhões e fez uma compra de novos 100 caminhões elétricos do modelo e-Delivery. Ainda mais, o plano era que, até 2023, a companhia tivesse 1600 desses veículos.

E como a empresa pretende fazer operações de transporte considerando a falta de postos para recarga?

Então, aqui está outra grande novidade:

A Ambev está investindo na implementação de usinas solares em seus centros de distribuição em todo o Brasil. Assim, os veículos da frota de caminhões elétricos farão as paradas tanto para deixar ou pegar mercadorias e, também, para recarregar as máquinas.

E aqui vai uma informação bônus: para esses 100 novos caminhões, está previsto uma redução de 1.540 toneladas de CO2 na atmosfera e uma economia de 583 mil litros de diesel.

Quais as vantagens e desvantagens do caminhão elétrico?

Aqui está o momento de entender se vale a pena investir nos caminhões elétricos. Será? Os prós e contras com certeza vão ajudar a tomar uma decisão. Para começar, quais são as vantagens e benefícios do caminhão elétrico?

  • O funcionamento do motor é mais simples;
  • os custos de manutenção tendem a ser menores em alguns componentes, já que não há o mesmo conjunto de óleo, escapamento e partes do motor a combustão;
  • a frenagem regenerativa pode ajudar a recuperar energia em desacelerações;
  • tem maior benefício ecológico quando a operação considera emissões diretas e a matriz de energia usada na recarga;
  • veículo é mais confortável;
  • caminhão é mais silencioso;
  • sofre menos vibração na viagem;
  • pode fazer uso de energias limpas;
  • baixo custo de abastecimento pode acontecer dependendo da tarifa de energia e da infraestrutura;
  • tem mais integração com outras tecnologias;
  • os motores têm alta eficiência.

Apesar de ter diversos pontos positivos, existe uma preocupação sobre o consumo de energia elétrica. É bastante compreensível, porque o impacto ambiental da operação não depende só do caminhão: a geração da eletricidade usada para recarregar veículos elétricos também pode criar poluição por carbono. Basta escolher os veículos da sua frota com muita pesquisa, comparar rotas e planejar bem a origem da energia.

Tendo isso em mente, quais são as desvantagens que você precisa considerar antes de comprar um caminhão elétrico?

  • Valor inicial do veículo é maior que de caminhões convencionais;
  • muitas peças individuais podem depender do valor do dólar e custos de tributação;
  • pontos de recarga no Brasil ainda são escassos em muitas rotas.

Qual a previsão para essa novidade no Brasil?

No Brasil, já estão circulando alguns modelos de caminhão elétrico, porém, o avanço tende a começar pelas operações em que a rota é previsível, a recarga pode ser planejada e a autonomia do modelo combina com a distância percorrida. Essa é uma realidade que, aos poucos, pode mudar.

Temos como exemplo a própria Ambev, que está investindo não apenas nos caminhões, mas nos centros de distribuição otimizados para carregar os veículos da frota.

Apesar de não sabermos ainda quando esses veículos irão se popularizar no país inteiro, você deve estar sempre procurando informações e ligado nas notícias. Assim, já se preparando para avaliar a atualização da sua frota e, claro, ficar um passo à frente dos concorrentes.

Além do caminhão elétrico, diversas tecnologias já estão disponíveis para tornar sua gestão de frota mais produtiva e eficiente! Que tal entender mais sobre o assunto? Leia nosso post:

O QUE A TECNOLOGIA LOGÍSTICA VAI FAZER POR VOCÊ

Perguntas frequentes

Quantos quilômetros um caminhão elétrico roda por carga?

A autonomia varia conforme o modelo, a configuração de bateria, a carga transportada, a rota e o modo de uso. Por isso, a comparação precisa ser feita caso a caso, principalmente no Brasil, onde a disponibilidade de pontos de recarga ainda pesa no planejamento de rotas.

Vale a pena investir em caminhão elétrico?

Depende da operação. Contra: o investimento inicial ainda é maior que o de caminhões convencionais, e a infraestrutura de recarga precisa ser planejada. A favor: veículos elétricos não têm emissões pelo escapamento, costumam gerar menos ruído e vibração e podem ter custo operacional competitivo em rotas bem desenhadas.

Quais modelos de caminhão elétrico existem no mercado?

O mercado já reúne modelos de várias montadoras, como Tesla Semi, Urban eTruck, FL Electric e e-Delivery. As características mudam de um modelo para outro, especialmente autonomia, configuração de bateria, capacidade de carga e tempo de recarga.

Como o caminhão elétrico é recarregado?

A recarga é feita conectando o veículo à infraestrutura elétrica disponível, que pode usar diferentes fontes de energia. O tempo depende do modelo, da bateria e do carregador; em um exemplo de mercado, o Volvo FH Electric pode carregar de 20% a 80% em cerca de 65 minutos.

Quem já usa caminhão elétrico no Brasil?

A Ambev investe nesses veículos desde 2018, com testes concentrados em São Paulo e compra de caminhões e-Delivery. Para contornar a falta de pontos de recarga, a empresa passou a investir em estrutura nos centros de distribuição, onde os veículos param para carregar e operar a logística.

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