Aumento do combustível: como economizar na frota
Quando o preço do diesel sobe ou oscila de uma semana para outra, a preocupação de conseguir lidar com os custos de abastecimento da frota também aumenta.
Afinal, não é apenas o orçamento para combustível que sofre o impacto. Existe toda uma corrente por trás:
Conforme o combustível fica mais caro, as transportadoras precisam reavaliar preços de frete, e varejistas e e-commerces podem ter de rever seus valores de venda. A economia do país todo acaba sendo afetada.
Como é formado o valor do combustível?
Há quatro fatores considerados para gerar o valor do combustível no Brasil: o preço do produtor ou importador, a carga tributária, o custo do etanol, e as margens de distribuição e venda.
Um dos maiores encarecedores de preço é a carga tributária, até porque, em vários casos, as taxas são cobradas em cima de um “preço final” — após somadas todas as outras partes que contribuem para a formação de preço do combustível.
Embora o Brasil tenha autossuficiência de petróleo, segundo dados da Petrobras, também é um grande exportador da matéria-prima. E, mesmo se fizesse uso apenas de seus próprios recursos, o preço no país pode ser influenciado por condições de mercado, custos de produção, impostos e margens da cadeia.
Inclusive, isso ajuda a explicar a próxima pergunta:
Por que ocorre o aumento do combustível?
O aumento do combustível pode ocorrer pela combinação de custos de produção ou importação, carga tributária, composição do produto, margens de distribuição e revenda e variações do mercado.
Ou seja, em um país como o Brasil, os valores podem mudar mesmo quando a frota não altera sua operação: a empresa compra combustível dentro de uma cadeia que depende de preço de produto, impostos, distribuição e venda.
Para acompanhar esse movimento com base atualizada, a ANP disponibiliza planilhas com os resultados das últimas pesquisas semanais do Levantamento de Preços de Combustíveis, incluindo preços médios semanais por Brasil, regiões, estados e municípios.
E o que vai acontecer a partir disto? Ainda não temos certeza do futuro e não há como cravar uma previsão concreta para a variação desses valores.
Portanto, até ter medidas definitivas ou uma tendência mais clara, você precisa dar atenção especial aos custos da sua frota — principalmente no controle de consumo de combustível. Como um passo inicial, você precisa entender:
Como calcular o consumo de combustível?
Você precisa dividir o número de quilômetros rodados pela quantidade de combustível consumida. É um cálculo até simples de realizar, certo? Mas, cuidado.
Você precisa ter atenção na hora de pegar os números para chegar a um resultado de maior precisão.
Não basta pegar o número do hodômetro e a quantidade abastecida para usar no cálculo, é preciso considerar os quilômetros que já rodaram anteriormente e se o tanque já tinha algum nível de combustível antes do abastecimento.
São detalhes que fazem toda a diferença.
Então, para saber o consumo de combustível por km:
Primeiro, você pode unir todos os números manualmente, a partir do próximo abastecimento. Aqui, você começa pelo esvaziamento do tanque (rodar até o veículo chegar neste nível) e abastece anotando com precisão o volume de diesel e a quilometragem marcada na hora de encher o tanque.
O próximo passo é continuar rodando e viajando até o tanque esvaziar novamente. Nesse momento, você anota a nova marca da quilometragem e faz o cálculo em duas partes:
- Diminuindo a quilometragem inicial pela nova marca.
- Dividindo o número de quilômetros rodados pela quantidade de combustível.
Uma segunda opção é realizar o controle por uma plataforma digital, com funções automatizadas.
Um sistema de gestão de combustível seria ideal, mas ferramentas como o checklist eletrônico também são prestativas. Assim dizendo, o checklist controla a quilometragem do veículo a cada saída e chegada, e o nível de combustível informado no registro.
Como lidar com o aumento do combustível na frota?
Dificilmente você terá uma redução de custos logo depois do aumento do combustível, mas você pode controlar e evitar custos excessivos em diversas áreas da sua gestão de frotas com um planejamento efetivo e objetivo.
Inclusive, você consegue gerar mais informações para saber onde cortar gastos, direcionar novos investimentos ou inovar na realização de processos logísticos.
As melhores ações incluem:
Realizar o controle de quilometragem
Como falamos acima, a quilometragem é essencial para descobrir o real consumo de combustível da sua frota. Então você precisa desse controle.
Além disso, se o veículo já rodou mais do que o previsto, pode estar com seu desempenho prejudicado, aumentando o consumo de combustível. Isto porque o motor faz mais força para iniciar movimento, aquece mais para acelerar, queima mais combustível por velas falhas, etc.
O controle de quilometragem pode ser realizado pelo controle em tempo real, através da telemetria ou por outros sistemas de roteirização e acompanhamento de frota que permitem notar picos de aceleração, excesso de marcha lenta, velocidade inadequada e outros fatores que influenciam nos custos da operação.
Essa atenção importa porque a direção agressiva — com acelerações e frenagens bruscas — desperdiça combustível, a marcha lenta consome combustível enquanto o veículo não produz deslocamento e a eficiência costuma cair rapidamente em velocidades acima de 50 mph.
Abastecer em postos parceiros
Diversos postos de combustível possuem sistemas de pontuação e descontos, ou clubes de parceiros. Você precisa aproveitar essas oportunidades, desde que o combustível seja de boa qualidade, para reduzir os custos da sua operação de transporte.
Caso abasteça com combustíveis adulterados, terá o aumento do combustível consumido e, igualmente, impactos negativos no motor e desempenho do veículo.
Otimizar as rotas
Criar rotas melhores é mais que buscar o caminho mais curto. Na verdade, é necessário verificar tráfego, quantidade de semáforos, horários de maior movimento, quantidade de quebra-molas, e assim por diante.
Inclusive, o próprio motorista deve ser consultado para que você planeje as rotas da operação. Embora haja sistemas de roteirização excelentes que contribuem muito nessa tarefa, a experiência e conhecimento do motorista devem ser aproveitados.
Tem fatores que, às vezes, não são considerados por uma tecnologia — como buracos na via, obras na pista, restrições locais de circulação, pontos de parada e trechos em que o veículo tende a ficar mais tempo parado.
Cuidar da troca de marchas
A troca de marchas e uso da marcha incorreta fazem o veículo “trancar”, balançar, ou fazer mais força para rodar. Tudo isso indica um aumento do combustível consumido pela frota.
Essa questão está diretamente ligada ao treinamento e capacitação de motoristas, visto que eles são os únicos responsáveis por esse elemento. A sua tarefa, portanto, é buscar os melhores cursos, palestras e capacitações para a sua frota — adquirindo, também, um meio de acompanhar os motoristas, orientar a condução econômica e criar um esquema de pontuação para bonificação.
Usar corretamente vidros abertos ou ar condicionado
Novamente, é uma questão de instruir os motoristas das melhores práticas para uma direção econômica e eficiente. Como regra geral, os vidros podem ser mantidos abertos em velocidades mais baixas, principalmente na distribuição urbana.
Já o ar condicionado tende a fazer mais sentido em viagens longas e velocidades de rodovia. Nesse caso, se os vidros permanecerem abertos, aumenta a resistência do ar e o veículo usa mais energia para “combater” o problema. Por outro lado, usar o ar condicionado sem necessidade, ou em temperatura mais baixa do que o necessário, também reduz a economia de combustível.
Fazer a manutenção preventiva dos veículos
A manutenção preventiva, quando realizada corretamente, a longo prazo, pode não ser o caminho ideal para reduzir custos de imediato. Porém, ela é crucial para evitar o aumento de gastos na frota.
Através dela, o veículo é inspecionado e o motorista dá indicações do que pode precisar de alguma atenção. Assim, prevenindo falhas mecânicas nas viagens, evitando acidentes e diminuindo gastos com consertos.
Selecionar o tipo certo de lubrificante
Os diferentes tipos de motores precisam de lubrificantes específicos para melhor desempenho. Enquanto alguns precisam de óleo mais viscoso, outros precisam do contrário.
O que acontece se usar um lubrificante não recomendado?
Um óleo de menor viscosidade em um motor recomendado utilizar a viscosidade alta, não terá a proteção necessária em alguns casos. Da mesma maneira, se o caminho for o inverso, o motor precisa fazer um esforço mais para continuar funcionando — gerando o aumento do combustível consumido pelo veículo e mesmo diminuindo a vida útil do motor. Usar o tipo de óleo recomendado pelo fabricante pode melhorar a economia de combustível de 1% a 2%.
Fazer a calibragem dos pneus
Os pneus de baixa calibragem geram maior esforço do motor para fazer o veículo se movimentar. Por isso, calibrar os pneus com a pressão correta é essencial.
Também é um cuidado que garante melhor estabilidade do veículo, durabilidade dos pneus e produtividade da sua operação. Vale a pena ter uma rotina de controle dos pneus para manter a sua calibragem sempre em dia.
Pneus abaixo da pressão recomendada podem reduzir a eficiência em cerca de 0,2% para cada queda de 1 psi na pressão média dos pneus; manter a calibragem correta pode melhorar a economia em 0,6% em média, chegando a 3% em alguns casos.
Como forma de auxiliar na sua gestão, nós preparamos uma ferramenta essencial: baixe gratuitamente a planilha de controle de combustível da frota para começar a usar!
Perguntas frequentes
Por que o combustível aumenta no Brasil?
Como é formado o preço do combustível?
Como calcular o consumo de combustível da frota?
Como economizar combustível com o aumento do diesel?
Vidro aberto ou ar-condicionado gasta mais combustível?
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