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Gestão de consumo de combustível

Aumento do combustível: como economizar na frota

Jade Zart Jade Zart 8 min de leitura
Aumento do combustível: como economizar na frota

Quando o preço do diesel sobe ou oscila de uma semana para outra, a preocupação de conseguir lidar com os custos de abastecimento da frota também aumenta.

Afinal, não é apenas o orçamento para combustível que sofre o impacto. Existe toda uma corrente por trás:

Conforme o combustível fica mais caro, as transportadoras precisam reavaliar preços de frete, e varejistas e e-commerces podem ter de rever seus valores de venda. A economia do país todo acaba sendo afetada.

Como é formado o valor do combustível?

Há quatro fatores considerados para gerar o valor do combustível no Brasil: o preço do produtor ou importador, a carga tributária, o custo do etanol, e as margens de distribuição e venda.

Um dos maiores encarecedores de preço é a carga tributária, até porque, em vários casos, as taxas são cobradas em cima de um “preço final” — após somadas todas as outras partes que contribuem para a formação de preço do combustível.

Embora o Brasil tenha autossuficiência de petróleo, segundo dados da Petrobras, também é um grande exportador da matéria-prima. E, mesmo se fizesse uso apenas de seus próprios recursos, o preço no país pode ser influenciado por condições de mercado, custos de produção, impostos e margens da cadeia.

Inclusive, isso ajuda a explicar a próxima pergunta:

Por que ocorre o aumento do combustível?

O aumento do combustível pode ocorrer pela combinação de custos de produção ou importação, carga tributária, composição do produto, margens de distribuição e revenda e variações do mercado.

Ou seja, em um país como o Brasil, os valores podem mudar mesmo quando a frota não altera sua operação: a empresa compra combustível dentro de uma cadeia que depende de preço de produto, impostos, distribuição e venda.

Para acompanhar esse movimento com base atualizada, a ANP disponibiliza planilhas com os resultados das últimas pesquisas semanais do Levantamento de Preços de Combustíveis, incluindo preços médios semanais por Brasil, regiões, estados e municípios.

E o que vai acontecer a partir disto? Ainda não temos certeza do futuro e não há como cravar uma previsão concreta para a variação desses valores.

Portanto, até ter medidas definitivas ou uma tendência mais clara, você precisa dar atenção especial aos custos da sua frota — principalmente no controle de consumo de combustível. Como um passo inicial, você precisa entender:

Como calcular o consumo de combustível?

Você precisa dividir o número de quilômetros rodados pela quantidade de combustível consumida. É um cálculo até simples de realizar, certo? Mas, cuidado.

Você precisa ter atenção na hora de pegar os números para chegar a um resultado de maior precisão. 

Não basta pegar o número do hodômetro e a quantidade abastecida para usar no cálculo, é preciso considerar os quilômetros que já rodaram anteriormente e se o tanque já tinha algum nível de combustível antes do abastecimento.

São detalhes que fazem toda a diferença.

Então, para saber o consumo de combustível por km:

Primeiro, você pode unir todos os números manualmente, a partir do próximo abastecimento. Aqui, você começa pelo esvaziamento do tanque (rodar até o veículo chegar neste nível) e abastece anotando com precisão o volume de diesel e a quilometragem marcada na hora de encher o tanque.

O próximo passo é continuar rodando e viajando até o tanque esvaziar novamente. Nesse momento, você anota a nova marca da quilometragem e faz o cálculo em duas partes:

  1. Diminuindo a quilometragem inicial pela nova marca.
  2. Dividindo o número de quilômetros rodados pela quantidade de combustível.

Uma segunda opção é realizar o controle por uma plataforma digital, com funções automatizadas.

Um sistema de gestão de combustível seria ideal, mas ferramentas como o checklist eletrônico também são prestativas. Assim dizendo, o checklist controla a quilometragem do veículo a cada saída e chegada, e o nível de combustível informado no registro.

Como lidar com o aumento do combustível na frota?

Dificilmente você terá uma redução de custos logo depois do aumento do combustível, mas você pode controlar e evitar custos excessivos em diversas áreas da sua gestão de frotas com um planejamento efetivo e objetivo.

Inclusive, você consegue gerar mais informações para saber onde cortar gastos, direcionar novos investimentos ou inovar na realização de processos logísticos.

As melhores ações incluem:

Realizar o controle de quilometragem

Como falamos acima, a quilometragem é essencial para descobrir o real consumo de combustível da sua frota. Então você precisa desse controle.

Além disso, se o veículo já rodou mais do que o previsto, pode estar com seu desempenho prejudicado, aumentando o consumo de combustível. Isto porque o motor faz mais força para iniciar movimento, aquece mais para acelerar, queima mais combustível por velas falhas, etc.

O controle de quilometragem pode ser realizado pelo controle em tempo real, através da telemetria ou por outros sistemas de roteirização e acompanhamento de frota que permitem notar picos de aceleração, excesso de marcha lenta, velocidade inadequada e outros fatores que influenciam nos custos da operação.

Essa atenção importa porque a direção agressiva — com acelerações e frenagens bruscas — desperdiça combustível, a marcha lenta consome combustível enquanto o veículo não produz deslocamento e a eficiência costuma cair rapidamente em velocidades acima de 50 mph.

Abastecer em postos parceiros

Diversos postos de combustível possuem sistemas de pontuação e descontos, ou clubes de parceiros. Você precisa aproveitar essas oportunidades, desde que o combustível seja de boa qualidade, para reduzir os custos da sua operação de transporte.

Caso abasteça com combustíveis adulterados, terá o aumento do combustível consumido e, igualmente, impactos negativos no motor e desempenho do veículo.

Otimizar as rotas

Criar rotas melhores é mais que buscar o caminho mais curto. Na verdade, é necessário verificar tráfego, quantidade de semáforos, horários de maior movimento, quantidade de quebra-molas, e assim por diante.

Inclusive, o próprio motorista deve ser consultado para que você planeje as rotas da operação. Embora haja sistemas de roteirização excelentes que contribuem muito nessa tarefa, a experiência e conhecimento do motorista devem ser aproveitados.

Tem fatores que, às vezes, não são considerados por uma tecnologia — como buracos na via, obras na pista, restrições locais de circulação, pontos de parada e trechos em que o veículo tende a ficar mais tempo parado.

Cuidar da troca de marchas

A troca de marchas e uso da marcha incorreta fazem o veículo “trancar”, balançar, ou fazer mais força para rodar. Tudo isso indica um aumento do combustível consumido pela frota.

Essa questão está diretamente ligada ao treinamento e capacitação de motoristas, visto que eles são os únicos responsáveis por esse elemento. A sua tarefa, portanto, é buscar os melhores cursos, palestras e capacitações para a sua frota — adquirindo, também, um meio de acompanhar os motoristas, orientar a condução econômica e criar um esquema de pontuação para bonificação.

Usar corretamente vidros abertos ou ar condicionado

Novamente, é uma questão de instruir os motoristas das melhores práticas para uma direção econômica e eficiente. Como regra geral, os vidros podem ser mantidos abertos em velocidades mais baixas, principalmente na distribuição urbana.

Já o ar condicionado tende a fazer mais sentido em viagens longas e velocidades de rodovia. Nesse caso, se os vidros permanecerem abertos, aumenta a resistência do ar e o veículo usa mais energia para “combater” o problema. Por outro lado, usar o ar condicionado sem necessidade, ou em temperatura mais baixa do que o necessário, também reduz a economia de combustível.

Fazer a manutenção preventiva dos veículos

A manutenção preventiva, quando realizada corretamente, a longo prazo, pode não ser o caminho ideal para reduzir custos de imediato. Porém, ela é crucial para evitar o aumento de gastos na frota.

Através dela, o veículo é inspecionado e o motorista dá indicações do que pode precisar de alguma atenção. Assim, prevenindo falhas mecânicas nas viagens, evitando acidentes e diminuindo gastos com consertos. 

Selecionar o tipo certo de lubrificante

Os diferentes tipos de motores precisam de lubrificantes específicos para melhor desempenho. Enquanto alguns precisam de óleo mais viscoso, outros precisam do contrário.

O que acontece se usar um lubrificante não recomendado?

Um óleo de menor viscosidade em um motor recomendado utilizar a viscosidade alta, não terá a proteção necessária em alguns casos. Da mesma maneira, se o caminho for o inverso, o motor precisa fazer um esforço mais para continuar funcionando — gerando o aumento do combustível consumido pelo veículo e mesmo diminuindo a vida útil do motor. Usar o tipo de óleo recomendado pelo fabricante pode melhorar a economia de combustível de 1% a 2%.

Fazer a calibragem dos pneus

Os pneus de baixa calibragem geram maior esforço do motor para fazer o veículo se movimentar. Por isso, calibrar os pneus com a pressão correta é essencial.

Também é um cuidado que garante melhor estabilidade do veículo, durabilidade dos pneus e produtividade da sua operação. Vale a pena ter uma rotina de controle dos pneus para manter a sua calibragem sempre em dia.

Pneus abaixo da pressão recomendada podem reduzir a eficiência em cerca de 0,2% para cada queda de 1 psi na pressão média dos pneus; manter a calibragem correta pode melhorar a economia em 0,6% em média, chegando a 3% em alguns casos.

Como forma de auxiliar na sua gestão, nós preparamos uma ferramenta essencial: baixe gratuitamente a planilha de controle de combustível da frota para começar a usar!

Perguntas frequentes

Por que o combustível aumenta no Brasil?

O combustível pode aumentar pela combinação de preço do produtor ou importador, carga tributária, custo do etanol, margens de distribuição e venda e variações do mercado. Como esses componentes mudam ao longo do tempo, a frota pode sentir oscilações mesmo sem alterar sua operação. Para acompanhar o movimento, a ANP publica pesquisas semanais de preços médios por Brasil, regiões, estados e municípios.

Como é formado o preço do combustível?

Por quatro componentes principais: preço do produtor ou importador, carga tributária, custo do etanol e margens de distribuição e venda. A tributação é um dos maiores encarecedores, porque em vários casos as taxas incidem sobre um “preço final”, já somadas as outras parcelas da formação de preço.

Como calcular o consumo de combustível da frota?

Divida os quilômetros rodados pelos litros consumidos, mas com cuidado na coleta: não basta o hodômetro e o volume abastecido; considere os km anteriores e se já havia combustível no tanque. Manualmente, rode até esvaziar o tanque, abasteça anotando volume e quilometragem, rode até esvaziar de novo, anote a nova marca, subtraia a quilometragem inicial e divida pelo combustível. Outra opção é um sistema de gestão de combustível ou um checklist eletrônico, que registra km e nível a cada saída e chegada.

Como economizar combustível com o aumento do diesel?

Dificilmente os custos caem logo depois do aumento, mas dá para evitar excessos com planejamento. As ações incluem controlar a quilometragem, abastecer em postos parceiros com combustível de qualidade, otimizar rotas considerando tráfego, semáforos e quebra-molas, ouvir o motorista, cuidar da troca de marchas com treinamento, usar ar-condicionado e vidros abertos conforme o tipo de trajeto, fazer manutenção preventiva, usar o lubrificante recomendado e calibrar os pneus.

Vidro aberto ou ar-condicionado gasta mais combustível?

Depende do trajeto. Como regra geral, em velocidades mais baixas os vidros abertos podem ser aceitáveis. Em velocidades de rodovia, o ar-condicionado tende a ser preferível porque janelas abertas aumentam o arrasto aerodinâmico. Ao mesmo tempo, o ar-condicionado não deve ser usado além do necessário nem em temperatura mais baixa do que a necessidade da viagem.

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