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Gestão de pneus

Limite de desgaste do pneu: por que 1,6 mm não basta

Luiz Felipe Luiz Felipe 7 min de leitura
Limite de desgaste do pneu: por que 1,6 mm não basta

Você pode até se perguntar: por que eu preciso identificar o limite de desgaste do pneu se a legislação já define uma profundidade mínima?

Hoje, a regra de referência é a Resolução CONTRAN n.º 913/2022, que considera irregular o pneu cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 mm. A própria resolução também prevê que essa profundidade remanescente pode ser constatada visualmente por meio dos indicadores de desgaste.

Embora esse limite legal exista, levar a banda de rodagem até 1,6 mm pode não ser a melhor decisão para quem trabalha com recapagem. Quando o pneu chega tão perto do fim da borracha disponível, é bastante provável que, na análise da carcaça, apareçam sinais de fadiga e o recape seja recusado.

Por isso, em diversas operações que realizam a gestão de pneus, o limite utilizado costuma variar entre 2,6 e 3,0 mm. E o motivo é simples:

Ao tirar um pneu de uso quando ainda tem essa “sobra” de profundidade nos sulcos, as chances de recapar o ativo e aumentar sua durabilidade são maiores.

Quais são os níveis limite de desgaste do pneu?

Antes de classificar o desgaste, vale um cuidado técnico: os níveis abaixo fazem sentido quando a frota compara medições ao longo do tempo e sabe qual foi a profundidade inicial ou a medição anterior daquele pneu. Sem essa referência, olhar apenas para os milímetros perdidos pode gerar uma leitura incompleta.

Baixo (ou leve)

O desgaste baixo é caracterizado por uma perda entre 0,1 mm e 0,9 mm de profundidade dos sulcos em relação à referência usada pela frota. Nesse caso, costuma ser considerado normal — o pneu segue um ritmo de desgaste natural.

Ou seja, não existem sinais evidentes de problemas relacionados aos pneus do caminhão apenas por essa variação.

É ainda importante seguir com um controle de aferições e registros para manter o histórico da frota, mas normalmente não é necessário buscar soluções corretivas imediatas.

Moderado

O desgaste moderado é considerado como a perda entre 1,0 mm e 2,0 mm, sempre comparando com uma medição de referência. Pode ser preocupante, mas ainda não é um estado crítico — como você vai encontrar em seguida.

Ao notar que o pneu está neste nível de desgaste, você pode estar lidando com problemas de alinhamento e balanceamento, por exemplo. Uma outra possibilidade é que algumas determinações não estejam sendo seguidas, como respeitar o limite de carga do veículo.

Existe o caso também de o motorista estar dirigindo de maneira imprudente. Vale investigar os demais dados sobre o pneu com desgaste moderado, como a rota realizada, responsável pela condução, pressão dos pneus, tipo de operação e histórico de inspeções.

Dessa forma, você consegue um panorama mais completo para entender os motivos de o pneu não estar em um ritmo regular de desgaste.

Inclusive, em alguns casos, você pode descobrir que este nível é o “normal” daquela aplicação, pois a qualidade na produção dos pneus e o tipo de pneu utilizado em cada veículo e rota são fatores que influenciam no desgaste.

Nesses casos, a gestão de pneus contribui para que você compre pneus de melhor desempenho e durabilidade na frota.

Acentuado (ou crítico)

Quando o desgaste é acentuado, ou crítico, como o nome sugere, ele é o mais preocupante e significa que existe um problema claro, ainda que você possa não saber qual é. É classificado desta forma quando a perda de profundidade chega a 2,1 mm ou mais em relação à referência acompanhada pela frota.

Os motivos de um desgaste se tornar crítico podem incluir:

  • Pressão incorreta na calibragem de pneus;
  • Direção irresponsável do veículo;
  • Uso dos pneus errados para a rota (pneus convencionais em estrada de chão, por exemplo);
  • Falta de cuidados na rotina da operação, como a negligência de aferições.

Esses pontos conversam com uma regra básica de manutenção de pneus: acompanhar pressão, banda de rodagem, rodízio e alinhamento ajuda a evitar que um desgaste comum vire perda acelerada ou condição preocupante.

Nesse último item, o desgaste pode até não ser tão grave, mas acaba sendo considerado assim porque o cronograma de aferições não está sendo cumprido.

Dessa forma, colocando um sinal de alerta não necessariamente para um problema no veículo ou nos pneus, mas para a responsabilidade do gestor e da pessoa encarregada pelas inspeções de pneus.

Como identificar o limite de desgaste do pneu?

Você consegue identificar um limite de desgaste do pneu por meio de um controle mais próximo e preciso da pressão de calibragem e, principalmente, da profundidade dos sulcos.

Podemos trazer 3 fatores cruciais para que isso se torne mais fácil:

Aferição de pneus

A aferição, também conhecida como “inspeção de pneus”, acontece tanto de maneira manual quanto digital.

No primeiro caso, usa-se um aferidor simples e o inspetor deve fazer a leitura conforme instrução de uso da ferramenta. É vantajoso para realizar uma gestão de pneus, mas tem seus pontos negativos.

Dentre eles, a demora para aferir todos os pneus de um veículo, o aumento de erros na leitura e o retrabalho manual de preencher os dados em uma planilha de controle após finalizada a inspeção.

Todos esses problemas são reduzidos pelo aferidor eletrônico (ou digital), que apoia a inspeção feita por uma pessoa e permite coletar e registrar a profundidade dos sulcos com mais agilidade e precisão.

Dependendo da solução adquirida para a frota, os dados podem ser recebidos de diferentes maneiras. No caso da gestão de pneus do Prolog App, a proposta é inspecionar com aferidor eletrônico e registrar a profundidade dos sulcos de cada pneu em poucos segundos, com inclusão das informações no sistema.

Importante:

A aferição, por si só, não vai lhe ajudar se você não fizer, também, o controle das informações geradas. Isto é, você precisa ou de uma planilha ou de um sistema que armazene esses dados, possibilitando uma comparação e análise deles ao longo do tempo.

Análise de histórico

Tendo isso em mente, o histórico de dados é crucial para uma operação de transportes. É apenas por meio dele que planejamentos e tomadas de decisões são feitos com maior precisão e trazem, efetivamente, resultados positivos.

Na planilha, o histórico pode ser perdido mais facilmente ou não ser de fácil acesso para toda a equipe. Portanto, se este é o método utilizado pela gestão da sua frota, você deve garantir que as principais informações sejam incluídas, de maneira clara, em relatórios mais acessíveis.

Inclusive, esse é outro ponto: seus relatórios e análises serão todos realizados manualmente. Com um sistema tecnológico, parte desse trabalho fica concentrada no registro organizado das inspeções e no acesso mais rápido ao histórico.

Afinal, quando as informações de inspeção ficam centralizadas, a análise deixa de depender apenas de anotações soltas: a equipe consegue comparar medições, identificar o que faz ou não sentido para a sua frota e tomar decisões pertinentes.

Se o relatório de nível de desgaste do pneu indica que está ocorrendo um desgaste acentuado, você deve investigar causas prováveis e definir soluções, como revisar pressão, alinhamento, balanceamento, aplicação do pneu e rotina de inspeções.

Com tudo isso em mãos e de fácil acesso, fica mais simples descobrir o limite de desgaste do pneu. Como uma alternativa para registrar e aumentar ainda mais o controle de pneus da sua operação, você pode ainda criar uma:

Tabela de profundidade dos sulcos

Geralmente, a tabela de profundidade dos sulcos é utilizada para determinar o nível apropriado de sulcos e o limite de desgaste do pneu.

Porém, cada tabela serve para apenas um determinado modelo de pneu e rota percorrida, já que são fatores que afetam os resultados da performance.

Inclusive, você deve já ter dados da média em que os seus pneus sofrem desgastes e qual a quilometragem média que percorrem.

Ou seja, a tabela fica mais útil quando nasce de dados concretos da própria operação, comparando profundidade inicial, medições ao longo do uso, quilometragem e momento de retirada para análise de recapagem.

Com essa base, a frota consegue identificar quando um pneu está chegando ao limite de desgaste definido pela operação e deve ser enviado à análise para recapagem, sem esperar necessariamente chegar ao mínimo legal de 1,6 mm.

Tudo o que você leu até aqui pode trazer uma percepção de que a rotina será complicada e demorada, mas nós temos a solução para a sua produtividade, além de proporcionar economia e segurança na tomada de decisões:

A gestão de pneus Prolog App — conheça, em detalhes, o que é e como funciona.

Perguntas frequentes

Qual é o limite legal de desgaste do pneu e por que muitas frotas retiram antes?

A Resolução CONTRAN n.º 913/2022 considera irregular o pneu cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 mm. Acontece que, chegando perto dessa profundidade, é provável que a carcaça já apresente sinais de fadiga e o pneu seja recusado no recape. Por isso, em diversas operações que fazem gestão de pneus, o corte praticado fica entre 2,6 e 3,0 mm: retirar com essa sobra aumenta a chance de recapar e estender a vida do ativo.

Como são classificados os níveis de desgaste?

São três faixas, medidas pela profundidade perdida nos sulcos em relação a uma medição inicial ou a outra referência da frota. Baixo, ou leve, vai de 0,1 mm a 0,9 mm e costuma ser considerado ritmo natural de desgaste. Moderado cobre de 1,0 mm a 2,0 mm: ainda não chega a estado crítico, embora possa ser preocupante. Acentuado, ou crítico, começa em 2,1 mm e indica que existe um problema claro, mesmo que a causa ainda não esteja identificada.

O que pode estar por trás de um desgaste moderado?

Entre as possibilidades estão problemas de alinhamento e balanceamento, desrespeito ao limite de carga do veículo e condução imprudente. Vale investigar os demais dados daquele pneu — rota percorrida, quem conduziu, pressão de calibragem e histórico de inspeções — para montar um panorama e entender por que ele saiu do ritmo esperado. Em alguns casos, a conclusão pode ser que esse nível é o normal ali, já que qualidade de fabricação, modelo de pneu e rota influenciam o desgaste.

O que leva um pneu ao desgaste acentuado?

Entre os motivos estão pressão incorreta na calibragem, direção irresponsável do veículo, uso de pneu inadequado para a rota — como pneu convencional em estrada de chão — e falta de cuidados na rotina, caso da negligência com as aferições. Nesse último item, o desgaste em si pode nem ser tão grave: ele é tratado como crítico porque o cronograma de inspeções não está sendo cumprido, o que sinaliza um problema de gestão.

Aferição manual ou aferidor eletrônico: qual a diferença na prática?

Na aferição manual, o inspetor usa um aferidor simples e faz a leitura conforme a instrução da ferramenta. Funciona, mas traz demora para percorrer todos os pneus de um veículo, mais chance de erro de leitura e o retrabalho de transcrever os dados para uma planilha depois. O aferidor eletrônico apoia a inspeção feita por uma pessoa, reduz retrabalho e facilita o registro da profundidade dos sulcos no sistema.

Para que serve a tabela de profundidade dos sulcos?

Ela é usada para determinar o nível apropriado de sulco e o ponto em que o pneu chega ao limite de desgaste. Um detalhe importante: cada tabela vale para um modelo de pneu e uma rota específicos, porque esses dois fatores mudam o resultado de performance. Combinada com a média de desgaste e a quilometragem percorrida pelos próprios pneus, ela ajuda a decidir quando enviar o ativo para análise de recapagem.

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