Calibragem com nitrogênio: quando vale para a frota
Pouco se fala em calibrar pneus com nitrogênio, pois ainda é uma alternativa menos comum na rotina do transporte brasileiro. Por isso, vale separar o que muda de fato na manutenção dos pneus e o que continua dependendo de verificação periódica.
A calibragem está presente na rotina da gestão de pneus, sendo necessário aferi-los com regularidade, por questões de segurança e estabilidade do veículo, e calibrar sempre que necessário. A pressão correta continua sendo a recomendada pelo fabricante do veículo ou do pneu.
O nitrogênio pode ser utilizado como alternativa para manter a pressão por mais tempo, mas não elimina a necessidade de controle. Conheça:
- Qual a diferença entre nitrogênio e ar comprimido para calibrar os pneus?
- Calibrar pneus com nitrogênio é mais vantajoso?
- A pressão utilizada para calibrar pneus com nitrogênio é a mesma?
- Como definir o melhor tipo de calibragem para os pneus da frota?
- Curiosidades sobre calibrar os pneus com nitrogênio.
Qual a diferença de calibrar pneus com nitrogênio e ar comprimido?
O ar-comprimido, utilizado na calibragem comum em postos de combustíveis, já é composto majoritariamente por nitrogênio: quase 79% do ar é nitrogênio. Ainda assim, por trazer também oxigênio e outros componentes, ele tende a perder pressão com mais facilidade do que uma calibragem feita com maior concentração de nitrogênio.
O diferencial do nitrogênio está na substituição do oxigênio. Como menos ar escapa dos pneus, a pressão de inflação tende a permanecer mais alta por mais tempo. Isso pode reduzir a frequência de calibragem, desde que a frota mantenha inspeções e medições regulares.
A comparação não deve ser entendida como dispensa de acompanhamento. Pneus calibrados com ar ou nitrogênio precisam seguir a pressão indicada pelo fabricante, e a manutenção da pressão não é garantida em nenhuma das duas opções.
Calibrar pneus com nitrogênio é mais vantajoso?
Em alguns casos, sim, pode ser vantajoso. Por exemplo, para veículos que viajam muito e para empresas de transporte que desejam reduzir paradas operacionais relacionadas à calibragem e manter uma rotina mais previsível de pressão dos pneus.
Como o nitrogênio ajuda a pressão a permanecer mais alta por mais tempo, ele pode fazer sentido quando a operação tem dificuldade de manter uma frequência adequada de conferência. Mesmo assim, a decisão precisa considerar custo, disponibilidade do serviço, acesso a calibradores confiáveis e capacidade de registrar as verificações na rotina da frota.
O uso do nitrogênio não deve ser vendido como garantia de economia fixa, aumento certo de vida útil ou redução automática de furos. A pressão adequada é um fator importante para segurança e desempenho, mas os resultados dependem do estado do pneu, da aplicação, da carga, das rotas, da forma de condução e da manutenção realizada.
Contudo, por ainda não ser tão popular no Brasil, pode ser difícil encontrar locais que possuem o gerador de nitrogênio para calibragem. Quando a rota não oferece pontos de apoio, a frota pode acabar rodando mais tempo sem a pressão adequada, o que gera risco de danos aos ativos.
Ou seja, é preciso analisar bem se esse investimento vale a pena considerando não apenas as economias que pode gerar, mas certificando-se de que a região das rotas realizadas possui um ponto de calibragem ou se você pode instalar um gerador de N² na sua garagem, e assim por diante.
Visualize todos os cenários possíveis antes de tomar uma decisão, incluindo a frequência real de medição, a confiabilidade do manômetro usado na calibragem e a disciplina da equipe para corrigir desvios de pressão.
A pressão utilizada para calibrar com nitrogênio é a mesma?
Sim, é a mesma. O que é diferente é a maneira em que a calibragem acontece e a forma como a pressão tende a se manter ao longo do tempo.
Na primeira vez que você calibrar pneus com nitrogênio, é necessário retirar o ar-comprimido, realizar o vácuo do pneu e, só após isso, adicionar o nitrogênio. Se houver necessidade operacional, nitrogênio e ar comprimido podem ser misturados, mas isso reduz a pureza do nitrogênio e deve ser tratado como solução prática, não como substituto de uma rotina de manutenção.
Todo esse trabalho costuma ser realizado por um único aparelho. Depois que o ativo já possuir calibragem por nitrogênio, o processo pode ficar mais simples, mas a frota ainda precisa conferir a pressão com equipamento confiável e manômetro funcionando corretamente.
De maneira geral, para calibrar com nitrogênio, é recomendável ir até uma mecânica especializada e identificar, também, os locais em que você pode fazer isso para cada estado brasileiro. A leitura de pressão fica mais precisa quando os pneus estão frios, então a rotina deve prever o momento adequado da medição.
Como definir a melhor calibragem de pneus para a frota?
Para escolher o melhor método de calibragem para a sua frota, entenda bem as suas opções e avalie todos os ângulos possíveis. Pergunte, por exemplo:
- Qual será o custo adicional de calibrar com nitrogênio?
- Qual pode ser a economia gerada na rotina de paradas, manutenção e pneus?
- A frota consegue verificar a pressão com regularidade, mesmo usando nitrogênio?
Num contexto geral, calibrar pneus com nitrogênio pode ser considerado uma otimização do processo. Contudo, como falamos, é preciso analisar com cuidado as suas alternativas para entender se realmente vale a pena utilizá-lo na sua operação.
Embora a estabilidade da pressão possa ajudar a reduzir problemas relacionados à baixa calibragem, você pode pensar nos veículos da frota em duas situações distintas:
- Aqueles que fazem viagens locais e urbanas.
- Aqueles que viajam a longa distância e passam por maiores variações climáticas e de solo.
Você pode fazer alguns testes e rodar com pneus calibrados com nitrogênio em ambos momentos para entender se compensa ao seu negócio ou não. Geralmente, os deslocamentos curtos tendem a trazer menos diferença operacional, principalmente quando a frota já consegue verificar a pressão de duas a quatro semanas e corrigir desvios rapidamente.
Já para rotas mais longas, o nitrogênio pode trazer um benefício importante: reduzir a necessidade de paradas para calibrar os pneus na estrada, sem eliminar a conferência periódica.
Ainda assim, utilizar esses métodos e compará-los para responder às questões que exemplificamos é o melhor ponto de partida para descobrir a melhor opção para a sua frota. O ideal é registrar resultados por tipo de rota, pneu, carga e intervalo de verificação, evitando decidir apenas pela promessa de economia.
Curiosidades sobre calibrar pneus com nitrogênio
Além de todas as vantagens e características já mencionadas, há algumas informações que você pode gostar de saber sobre calibrar pneus com nitrogênio:
- Ele ajuda a pressão de inflação a permanecer mais alta por mais tempo, porque substitui parte do oxigênio presente no pneu.
- Pneus podem ser projetados para entregar o desempenho esperado quando inflados com ar ou nitrogênio, desde que a pressão recomendada seja respeitada.
- O ar comprimido já contém muito nitrogênio, o que ajuda a explicar por que a diferença entre os métodos depende da aplicação e da disciplina de manutenção.
- Nitrogênio e ar comprimido podem ser misturados quando necessário, embora a mistura reduza a concentração de nitrogênio no pneu.
Agora que você já entendeu os métodos de calibrar pneus, descubra também como saber a pressão ideal dos pneus da frota.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre calibrar com nitrogênio e com ar comprimido?
Quanto custa calibrar com nitrogênio e o que se ganha?
A pressão de calibragem muda com o nitrogênio?
Vale a pena para qualquer tipo de rota?
Onde encontrar nitrogênio para calibrar os pneus?
O nitrogênio serve para qualquer pneu e é seguro?
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